Estresse e Proteína G

Digamos que uma pessoa esteja andando tranqüilamente na rua e de repente veja um tripod destruindo a cidade. A reação natural desta pessoa é correr desesperadamente na direção oposta a do tripod. Mas pera aí, para ela correr, ela precisa de energia nos músculos. E para gerar energia no tecido muscular ela precisa de glicose. Então, o organismo precisa mobilizar glicose ao sangue, para que depois chegue às células musculares.

Bem, durante situações de estresse (como o caso acima do tripod), o organismo passa por uma série de adaptações fisiológicas. Uma destas adaptações, é a liberação de adrenalina pela medula das glândulas adrenais (também chamadas supra-renais). Essa liberação ocorre em resposta a um estímulo do sistema nervoso simpático, o responsável por coordenar ações em situações de estresse. E impressionantemente, esta liberação de adrenalina vai fazer com que glicose vá para o sangue.

Para entender isto, nada melhor que uma animação do you tube. Aí vai a sinopse da bela curta-metragem que você está prestes a assistir:

1) A liberação da adrenalina (epinephrine) no sangue faz com que ela chegue às células do fígado (liver);

2) As moléculas de adrenalina se ligam à proteínas na membrana das células. Estas proteínas são chamadas de receptores. No nosso caso, estamos lidando com o receptor β-adrenérgico;

3) O receptor β-adrenérgico passa, então, por uma mudança conformacional (uma mudança na sua estrutura tridimensional). Isto faz com que o receptor se associe com uma proteína trimérica (de 3 subunidades). Esta proteína se chama Proteína G (guanine nucleotide-binding protein) e suas subunidades são denominadas α, β e γ.

4) Antes de se associar com o receptor, a proteína G estava inativa e ligada a uma molécula de GDP (guanosina difosfato). Ao se associar com o receptor, uma molécula de GTP (guanosina trifosfato) substitui a molécula de GDP, o que ativa a proteína G.

5) O complexo (subunidade α da proteína G)-(GTP) desprende-se das subunidades β e γ e ativa a enzima adenilato ciclase. Esta enzima converte ATP (Adenosina trifosfato) em cAMP (Adenosina monofosfato cíclico). O cAMP é denominado segundo mensageiro.

6) Moléculas de cAMP ligam-se à moléculas de proteínas tetraméricas (de 4 subunidades) denominadas PKA (Proteína Cinase A). A PKA possui duas subunidades R e 2 subunidades C (catalíticas). As moléculas de cAMP ligam-se às subunidades R, fazendo com que as subunidades C se dissociem. (R2.C2 + 2cAMP->R2.cAMP2 + 2C)

7) As subunidades catalíticas da PKA (C) fosforilam o fator de transcrição CREB (cAMP response element-binding)

8 ) Após ser fosforilado, CREB liga-se à região CRE do DNA (cAMP response elements). A proteína CBP (CREB bound protein) liga-se a CREB, permitindo a transcrição e tradução de genes específicos.

9) Produzem-se, então, enzimas que promovem a gliconeogênese, processo no qual glicose é produzida a partir de compostos que não são carboidratos.

Epa, mas a ação da adrenalina não para por aí não! Os hepatócitos possuem outro mecanismo de liberação de mais glicose! Acompanhe:

1) O PKA ativo catalisa a fosforilação da fosforilase b cinase, ativando-a.

2) A fosforilase b cinase catalisa a fosforilação da glicogênio fosforilase b, tranformando esta em glicogênio fosforilase a.

3) A “glicogênio fosforilase a”permite a geração de moléculas de glicose 1-fosfato a partir do glicogênio hepático. Após vários passos, glicose é gerada e liberada para o sangue.

Fonte:campodearroz

creditos: Dr O.liverkall (:

Estresse e Proteína G Estresse e Proteína G Reviewed by Kembolle Amilkar on domingo, novembro 09, 2008 Rating: 5

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